Pesquisar

domingo, setembro 13

Blogs que interagem: As consequências da intolerância

* O "Topic of the month" é um projeto do grupo "Blogs que interagem" e promove posts sincronizados sobre um determinado tema. O deste mês de setembro, mês da compreensão mundial, o tema foi "tolerância."


"Muitas vezes me olhavam estranho pelo jeito que me vestia, pelo jeito que falava, pelo jeito que me comportava. Muitas vezes fui humilhada, excluída e julgada pela forma que enxergava o mundo."


Maria Inocência, 14 anos. cursando o ensino fundamental. 
Alta, magra, branca, cabelos crespos e roxos, usava sempre preto e não acreditava em Deus.

Maria tinha todos os motivos do mundo para ser odiada por todos. E não foi diferente. 
Na escola, ela ouvia humilhações, xingamentos e era excluída de todos os grupos. Ela não ligava, já estava acostumada, sempre foi assim.

No dia do seu aniversário, implorou para que os pais não a mandassem para a escola, ela sabia que ia acontecer algo, estava sentindo, pressentindo, mas os pais não permitiram que ela faltasse. 

Chegando na escola, percebeu que um certo grupo a olhava diferente, tratava diferente. Parecia que a consideravam como amiga. 3 alunos (Felipe, Jonas e Michel) pediram desculpas por todas as humilhações que a fizeram passar e se ofereceram para leva-la até em casa. No caminho, a empurraram para um lugar que parecia meio deserto e bateram tanto na menina que ela mal podia abrir os olhos e muito menos gritar. Sofria calada. Sentia dores tão fortes que não conseguia ao menos se concentrar para chorar. Quando viram que ela nem mesmo podia se mexer, saíram correndo e a abandonaram, ali, no meio do nada.

Algum tempo depois dos pais de Maria terem percebido seu atraso, foram atrás dela com a certeza de que algo tinha acontecido. A encontraram machucada, desmaiada e praticamente morta. Chamaram a ambulância, mas seu estado era tão crítico que os próprios enfermeiros não acreditaram que sobreviveria. Ninguém sabia quem havia cometido aquele crime e apenas ela podia contar. Ela não morreu, mas ficou em coma, por 7 anos.

7 anos depois... 

- Ela está acordando, chamem os médicos. - Gritou a mãe

Depois de 7 anos, Maria acordou. Ninguém tinha esperança que isso aconteceria, a não ser sua mãe que nunca deixou que desligassem seus aparelhos.
Mesmo depois de tantos anos ela lembrou o que havia acontecido, lembrou o rosto de quem havia feito, mas não sabia nem mesmo seus nomes já que nunca teve contato com eles. E como consequência dos hematomas não conseguia pronunciar nenhuma palavra.  

 Maria tinha vários defeitos (segundo os olhos da sociedade), mas era pura e inocente assim como seu nome sugeria. Nunca tinha feito mal a ninguém, mesmo com todos os sofrimentos que sofreu ao longo da vida. Mas agora era diferente. Tiraram sua pureza, tiraram sua inocência, tiraram tudo que ela tinha de mais precioso: Sua paz. 

Passou um ano depois de sua recuperação. Era seu aniversário, mas só o que Maria podia sentir era medo de que tudo acontecesse de novo. 
Andando pela rua, Maria avistou o trio que tinha destruído sua vida. Resolveu se esconder e observar, afinal, não teria como gritar caso algo fosse acontecer novamente. 

Ela ficou dias os observando. Descobriu seus horários, descobriu quando se juntavam, quando saíam e quando voltavam. Foi aí que tomou uma decisão. - "Preciso de vingança."

No dia que se reuniam em uma casa alugada, ela pegou a velha arma escondida de seu pai e invadiu a casa de Michel. Matou a filha de apenas 3 anos e deixou um bilhete: 
"Eu era tão inocente quanto essa pobre menininha, mas não os impediu que me fizessem mal".

Foi na casa de Filipe e matou sua mãe bem idosa e doente, única pessoa que importava para ele. Deixou o bilhete:
- "Eu era tão frágil quanto ela, mas não impediu que me fizessem mal".

Foi na casa de Jonas e matou seu irmão caçula de 12 anos. Deixou o bilhete: "Assim como esse menino que escuta rock e escreve poemas, eu tinha meu jeito. Diferente, mas especial, e meu. Isso não impediu que me fizessem mal."

Desesperada, com medo, mas nem um pouco arrependida, Maria foi para o lugar mais lindo que encontrou, viu o pôr do sol e logo em seguida escreveu um bilhete contando quem havia a espancado a tantos anos atrás e ainda escreveu:

"Muitas vezes me olhavam estranho pelo jeito que me vestia, pelo jeito que falava, pelo jeito que me comportava. Muitas vezes fui humilhada, excluída e julgada pela forma que enxergava o mundo. Não fazia mal a ninguém, mas não impediu que me fizessem mal". 

Guardou o bilhete no bolso e tirou sua vida: sem ao menos pensar em se arrepender.

Maria era sim diferente, talvez até estranha, mas nunca havia feito mal a ninguém. Vivia do jeito que a fazia feliz, do jeito que se sentia bem. Graças a intolerância dos mais fortes e "populares", ela tirou a vida de pessoas inocentes e se suicidou por não conseguir mais encontrar a paz.

Essa história é fictícia, mas em algum lugar do mundo existem pessoas "diferentes" como Maria e Intolerantes como Felipe, Jonas e Michel.



4 comentários:

  1. Uauu!! Que forte o texto!! Mas apesar de fictícia, sabemos mesmo que isso está acontecendo por aí, e isso meio que nos deixa impotentes! Me identifiquei com a Maria do teu texto, mas tive a sorte de ter pais que me ouviam e graças a Deus nunca sofri nada tão agressivo!!

    ~Athene

    ResponderExcluir
  2. Realmente é muito forte, mas já vi histórias assim. Como em Realengo que um homem que tinha sofrido bullying, entrou em uma escola e matou várias crianças.
    Esse é um tema bem complicado e que deveria ser bem mais discutido.

    Ah! Obrigada pela visita e beijinhos! <3

    ResponderExcluir
  3. Nossa
    que história, que triste e surpreendente!!!🐈🐩🐶

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Infelizmente em algum lugar do mundo isso acontece muito. E as vezes não está muito longe :(

      Excluir

E então, o que achou? Me conte sua opinião, vou adorar responder. :)

E-grana


Personalizado por: Renata Massa | Tecnologia do Blogger.
imagem-logo