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terça-feira, setembro 1

29° dia do BEDA: #BlogsQueIndico

Olá meus amores. Hoje vou falar sobre um blog que amo de paixão, Girafa de Papel.
No dia que fiz o vídeo da TAG Blogueira iniciante, tinha um pergunta que era:  "Cite uma blogueira iniciante que você está acompanhando." Infelizmente não tinha todos os blogs para falar naquela hora e por isso falei os que estou mais acostumada a visitar, já que elas dão dicas para blogs.

Mas hoje vai começar mais uma série (sei que já está cheio de séries aqui no blog, mas vou cumprindo um a um aos poucos rs). Meu objetivo é mostrar para outras pessoas que existem blogs muito bons que são inciantes. Muitas vezes olhamos apenas os blogs famosos e não percebemos que existem muitos outros que não são tão famosos, mas são muito bons.

Então vamos ao que interessa. Vou falar um pouco sobre o blog da Marina, o Girafa de Papel.



Esse é um blog pessoal onde a autora escreve contos, fábulas, rimas, versos, entre outros.
Me apaixonei pelo jeito que a autora escreve cada texto. As sílabas, as palavras, as frases e as histórias se encaixam perfeitamente um ao outro.
Quem me conhece sabe que amo histórias. Não importa se é real ou imaginário, escrito ou contado. O que me cativa é a forma com que a pessoa consegue se expressar através das palavras. E definitivamente, ela conseguiu me conquistar.

Ela esta/estava com um projeto de repente literário. A pessoa dava uma palavra e ela transformava em conto. Eu achei a ideia simplesmente maravilhosa. Como eu não perco a oportunidade de desafiar as pessoas (rs) lancei minha palavra e ela me devolveu o conto.
O que falar sobre ele? Bom, eu pensei que era apenas encaixar a palavra sugerida no texto, mas não, ela conseguiu fazer melhor. Eu sugeri a palavra "confusão" e ela fez um conto que falava de uma confusão que aconteceu.

"Sétimo do sétimo

Em 1998 Michel tinha apenas 12 anos e sua casa já vivia cheia de gente para vê-lo. A casa era simples, mas muito melhor que a maioria das casas da região. Era de alvenaria e não de barro, e tinha banheiro na parte de dentro, com água encanada e luz elétrica. Seu pai era vendedor de vassouras e passava a maior parte da semana viajando para cidades vizinhas. Cabia a mãe cuidar dos oito filhos e atender toda aquela gentarada na porta. Ela organizava a fila, verificava os casos mais graves que deveriam ter preferência, servia água e café.
Naquele sertão perdido, onde as ruas ainda eram de terra e o calor castigava com seca nos poços, muita gente acreditava que Michel fosse especial. Seu pai era o sétimo filho de um agricultor pobre, de um lugar distante, e Michel era o sétimo filho dele com sua mãe. Achava-se que o sétimo filho do sétimo filho tivesse poderes sobrenaturais de cura e por isso até o padre da cidade havia visitado o menino, por anos a fio, para tratar da gota que lhe corroía os dias ensolarados e o fazia cancelar as missas. Gente de toda parte, com todo tipo de doença vinha vê-lo na esperança de curas milagrosas quando a medicina já havia desenganado. E a verdade era que muitos saíam de fato curados. Crianças curadas de infecções sem causa aparente, homens curados de impotência, mulheres curadas de bexiga baixa e idosos curados inclusive de câncer. O menino era poderoso e sua fama só aumentava.
Não cobrava nada de seus pacientes, mas aceitava todas as doações que fizessem. Com o tempo o pai parou de viajar para poder ajudar a mãe com os atendimentos. Em menos de quatro anos de curas, já podiam viver apenas da renda trazida pelo menino. Seu pai, quando ficou sabendo da lenda sobre o sétimo do sétimo, fez as contas e logo começou a alardear aos quatro ventos que desde bebê o filho era especial. Verdade que viveu com eles por um tempo um tio que assegurava que o pai era mesmo um sétimo filho. Depois disso, visitas tímidas começaram e cada dia mais o menino se sentia diferente. Em casa, a mãe não deixava que os irmãos o atormentassem, fazendo todas as vontades da criança. Tinha até comprado uma cama alta só pra ele, enquanto os irmãos continuavam dividindo colchões espalhados pelo quarto.
Michel era um menino de olhos vivos, sorridente e muito esperto. Olhava sempre muito profundamente nos olhos de todo mundo e, na maioria das vezes, intimidava muitas perguntas. O irmão mais velho, o sexto filho, odiava-o. Mauro era um jovem rapaz muito calmo, sereno e sensato que desde muito cedo mostrou-se interessado pelo caminho religioso. Queria ser padre e ajudava na igreja com a esperança de um dia ser enviado para o seminário. Os pais o repreendiam, dizendo que ele devia dedicar-se menos à Bíblia e mais a ajudar nas tarefas de casa que incluíam sempre ajudar nas curas de Michel. O padre dizia que ele era invejoso e preguiçoso, pois não reconhecia o dom que Deus dera ao irmão. tinha só uma vizinha que o apoiava e orientava nos estudos, já que nenhum deles ia a escola. Assim, ele sabia ler e escrever e mostrava-se sempre muito curioso por revistas que a vizinha trazia quando ia a alguma cidade próxima.
Depois dos dez anos, porém, Mauro tinha dificuldade em aprender e ler e logo a vizinha percebeu que o menino precisava de óculos. Insistiu com a mãe e com o pai para lhe comprarem um par ou, pelo menos, levá-lo até o médico, mas nenhum dos dois deu ouvidos, assegurando a ela que o irmão o curaria. Inúmeras tentativas de Michel foram feitas. Toda sorte de unguentos, orações, tratamentos com ervas e bênçãos eram sempre a última esperança, mas nada de Mauro enxergar melhor. Quando a notícia se espalhou, os pais apressaram-se em dizer que Mauro era um menino mau, que tinha inveja de Michel e por isso sua cura não vinha. Com medo de Mauro estragar o futuro de Michel, os pais pediram ao padre que enviasse o menino ao seminário. E assim foi feito.
Mauro ordenou-se padre e foi pregar em uma paróquia muito distante, vindo sempre visitar a família, só para constatar que ainda tinham rancor por ele. No dia em que saiu de casa a vizinha dera-lhe um par de óculos que, desde então, tornaram-se seu melhor amigo. A mãe, quando o via com os óculos, ofendia-lhe como podia, dizendo que nunca o perdoaria. Sempre muito calmo, Mauro não desistia das visitas e, quando não podia vir, mandava-lhes dinheiro e outras ajudas necessárias.
Havia, perto dali, uma paróquia muito dispersa, onde nenhum outro padre conseguia manter o rebanho unido. Percebendo a aptidão de Mauro para lidar com paróquias difíceis, mandaram-no para lá, a fim de por a casa em ordem. A notícia deixou-o em êxtase, já que de lá poderia visitar os pais e os irmãos toda a semana. Mudou-se muito animado, mesmo sabendo da tarefa difícil, mantendo a fé de que estava no lugar certo na hora certa. 
A paróquia era um pesadelo. As beatas só maldiziam umas as outras, os diáconos viviam bebericando o vinho da sacristia e as missas eram mais vazias que velórios. Assim, Mauro resolveu visitar as pessoas da cidade, convidando-os pessoalmente a irem à igreja, prometendo-lhes sermões mais interessantes. Aos poucos as pessoas começaram a aparecer e a tomar carinho pelo novo pároco. Como sempre acontecia, todos que se aproximavam de Mauro o adoravam, levando na mais alta conta seus conselhos e orientações.
Em uma das visitas a sua família, a vizinha – já bastante idosa – o chamou para um café, vendo que ele deixava a casa da mãe triste e encabulado. Sentaram à mesa, frente a frente, e ele abriu-lhe o coração, dizendo que estava cansado de insistir que o perdoassem e achando que o irmão e o pai estavam abusando da bondade e ignorância das pessoas. Chorou por meia hora, dizendo que só a fé o mantinha firme no caminho de ajudar as pessoas, as paróquias, os necessitados. Antes de ir embora, viu que o canarinho da vizinha, companheiro de muitos anos, não parecia bem. Ela lhe explicou que o pássaro estava doente e que acreditava que ele não viveria muito mais tempo. Mauro abriu a gaiola, segurou a ave nas mãos, fazendo-lhe uma pequena cama, e pediu para o santo protetor dos animais o ajudar. Como num passe de mágica, o pássaro voou de sua mão, dando um rasante pela cozinha, pousando no poleiro da gaiola cheio de apetite. Vendo o olhar espantado da vizinha, Mauro disse-lhe que, às vezes, suas preces eram atendidas e que assim podia ajudar algumas pessoas.
Um dia, enquanto escrevia o próximo sermão na sacristia, entrou na igreja uma mulher muito velha, pedindo para ver o novo padre. Quando olhou para ele, que a atendeu muito prontamente como sempre fazia, os olhos da velha encheram-se de lágrimas e por longos minutos ela não foi capaz de falar. Depois de um copo d’água fresca, a mulher finalmente disse que ouvira falar que Mauro se parecia muito com seu neto, que havia morrido um ano antes. Abraçando-a com calma, Mauro a consolou dizendo-lhe que, se quisesse, poderia visitá-lo sempre.
Depois de desistir das visitas à sua família, o padre dedicou-se com afinco às obras da igreja, desenvolvendo projetos que ensinavam as crianças a ler, que ajudavam os idosos com suas enfermidades, que educavam as famílias a conseguir água potável. Em uma de suas andanças pelos projetos, viu uma mulher muito bonita, mais jovem que sua mãe, olhando-o com  atenção e curiosidade. Depois de algum tempo sentiu-se incomodado com a atitude dela e aproximou-se, perguntando se ela queria conversar, se havia algo que a afligia. Ela, então, quase sem emoção nos olhos, disse:
– Quando minha mãe me disse que você era parecido com ele, eu não acreditei. Mas agora vejo que você é exatamente igual ao meu filho que morreu. Minha mãe visita-o sempre, sabe… É aquela senhora idosa que não se conforma em perder o neto. Eu sou mais conformada, pois sei que meu filho se foi porque a semente não era boa. O pai dele não vale nada, sabe. Andou por aqui por um tempo, fez minha mãe acreditar que se casaria comigo e logo depois de me engravidar sumiu. Alias, você se parece com ele também. Só que você é bom, todo mundo diz. Você faz coisas boas pros pobres, ajuda as crianças a terem um futuro… Também já ouvi dizer que você fala baixo e manso, sempre com sinceridade. Você é tão parecido com o pai do meu filho que até assusta. Meu filho seria uns dois anos mais velho que você. Era um menino muito espevitado. Morreu ainda afogado no açude no tempo da cheia. Se não o tivesse visto morto, ia dizer que você era ele de tão parecido que são.
Sentindo um profundo aperto no peito, numa emoção que tomava conta de todo o seu ser, Mauro perguntou-lhe quem era o pai do filho dela. A mulher, sem nenhuma alegria, respondeu:
– Ele era vendedor de vassoura nessa região, vivia viajando. Descobri que é casado e tem um monte de filho, num povoado perto daqui. Dizem que o filho dele, mais novo que o meu, é curandeiro e que ganham a vida tirando dos outros o pouco que tem em troca de cura pras mazelas. Nunca mais ele veio aqui, nem chegou conhecer meu menino. Sempre dizia que um dia ia viver sem trabalhar, que um dos filhos ia lhe dar boa vida. E foi mesmo…
Sentado, muito pálido e cansado, Mauro se deu conta que Michel nunca foi o sétimo filho do sétimo filho. Ele era.Read more: http://www.girafadepapel.com.br/#ixzz3kS9DqXbI
Como vocês podem perceber, a história foi muito bem escrita e muito bem pensada. Caso queiram conhecer as outras histórias é só visitar o blog dela - http://www.girafadepapel.com.br/

Deixem o link de vocês aqui em baixo e se eu gostar, incluo ele no #BlogsQueIndico.

Bom amores, por hoje é só. Espero que tenham gostado da dica e não esqueçam de seguir o blog nas redes sociais. 
Beijinhos! 




2 comentários:

  1. Fabiiii!!!! Que lindo!!!!! Muito obrigadaaaaaa!!!!!! Fico super feliz em saber que uma pessoa que escreve tão bem e que se dedica a blogosfera gosta dos meus textos!!!! Vou caprichar cada vez mais agora!!!! Super beijo!!!! :)

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    1. Você merece todos os elogios, Mari. Espero que você nunca desista e que sua criatividade fique cada vez melhor. Milhões de Beijos! <3

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E então, o que achou? Me conte sua opinião, vou adorar responder. :)

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